O desenvolvimento do bebê mês a mês
Em nenhum outro período da vida o ser humano faz tantas conquistas motoras, mentais e sociais quanto nos primeiros anos. São revoluções que encantam os pais
Patrícia Cerqueira
Segundo mês
Um dos grandes marcos desse período é o sorriso social. "Indica que
o desenvolvimento psíquico e afetivo da criança está indo bem", diz
a pediatra. É um fenômeno curioso, porque independe do olhar e da
receptividade dos pais. "Crianças cegas e surdas também têm esse
sorriso", diz Rosa. Além do sorriso, o bebê de 2 meses já consegue
levantar o queixo, sinalizando que o controle da musculatura do
pescoço está avançando. Tem também o reflexo de virar o rosto de
lado se colocado de bruços quando acordado. Outros reflexos, como o
de estender o corpo para trás se for subitamente levantado e o da
marcha, começam a ser inibidos, porque o domínio sobre os
movimentos aumenta. A visão – as duas retinas se fundem
– permite ao bebê fixar e acompanhar objetos e pessoas. Ele
enxerga a mãe de outro modo. Não apenas o contorno do rosto, como
era antes. Vê detalhes, o nariz, a boca, os lábios. É capaz de
reconhecer o pai, os avós, a babá. Nessa fase, é importante dar
continuidade ao calendário de vacinas, orientado pelo pediatra. É
que elas também dependem do desenvolvimento do bebê. Têm datas para
ser ministradas porque o tecido que produz a imunidade do bebê, o
linfóide, possui uma determinada velocidade de crescimento. "Não
adianta imunizar o bebê antes porque o organismo dele não vai
conseguir responder à vacina", diz o pediatra Francisco Lembo
Neto.
Terceiro mês
A boca é o principal instrumento do bebê para
conhecer o mundo. Ela discrimina consistência, volume, texturas dos
objetos, das pessoas e até das partes do corpo do bebê. Ele ainda
não leva o pé à boca, mas as mãos são saboreadas junto com
brinquedos moles que já consegue pegar. Os movimentos reflexos
continuam a diminuir. O da marcha, por exemplo, é trocado pela
tentativa voluntária de seu filho ficar apoiado nas duas pernas
quando colocado em pé. A coluna está mais ereta. No final do
terceiro mês, o bebê consegue erguer bem a cabeça, o tronco,
esticar os braços e movimentar a cabeça à procura de objetos e
sons. O padrão de sono muda. A criança dorme 16 horas por dia.
Ainda é bastante e existe uma razão. "O bebê precisa disso tudo de
sono para não consumir calorias a mais do que as necessárias, já
que o seu metabolismo trabalha loucamente", diz Lembo. E, ao
dormir, o bebê controla seu desenvolvimento. Ele alterna sono
profundo e sono REM (quando os olhos se movimentam). Sabe-se que é
no REM que os adultos sonham. Não dá para comprovar se os bebês
fazem o mesmo, mas é nessa fase do sono que as células de seu
cérebro formam novas sinapses. A atividade cerebral do bebê nesses
momentos é tão intensa que, às vezes, ele sofre uma espécie de
blecaute, tamanha a quantidade de informações que são registradas.
Em atividade, os movimentos do bebê avançam. Ele começa a virar o
corpinho para o lado. Já tem noção de profundidade desde que nasce,
mas não de perigo, que é algo a ser aprendido. Por isso, cuidado
com as quedas. Do terceiro para o quarto mês aparecem os arrulhos
ou balbucios. "Quando os pais conversam com os filhos, eles
respondem com sons e entonação como se estivessem mantendo um
diálogo", diz a pediatra Rosa.
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